Tenossinovite de Quervain

Água no joelho: por que ocorre o derrame articular?
fevereiro 11, 2019

A tenossinovite estenosante De Quervain, em homenagem ao cirurgião suíço Fritz de Quervain, que em 1895 apresentou uma série de casos da doença, se caracteriza por uma inflamação da bainha que recobre os tendões do abdutor longo e extensor curto do polegar, no primeiro compartimento dorsal do punho, sobre a estilóide radial, levando ao espessamento desta, promovendo a constricção do tendão durante seu deslizamento no túnel osteofibroso.

Essa doença acomete mais frequentemente as mulheres na faixa etária entre 30 a 50 anos, estando associada principalmente a sobrecarga das atividades diárias das mãos e punho, tendo em vista que o polegar faz o movimento de preensão / pinça, secundária a trauma local, fatores genéticos e variantes anatômicas- como um túnel osteofibroso acessório que contém um ou mais tendões em seu interior, mas em muitos casos não há uma causa bem definida.

É bastante comum em mulheres durante a gravidez e principalmente nos primeiros meses pós-parto (puerpério).

O quadro clínico é característico com dor sobre a estilóide radial do punho, em repouso ou aos movimentos do punho e principalmente do polegar ao fazer a pinça para segurar objetos, edema (inchaço) e às vezes a presença de um cisto sinovial (bolinha dolorosa local).

O diagnóstico é basicamente feito com o exame clínico e com o teste de Finkelstein positivo, o rx e o ultrassom pode se fazer necessário, mas na maior parte das vezes é dispensável e em último e raros casos a ressonância magnética.

O tratamento inicialmente é conservador com anti-inflamatórios, analgésicos e injeções de corticoides, além de infiltrações, medidas locais com gelo, uso de tala que imobilize o polegar, fisioterapia e acupuntura tem dado bons resultados e cura dos sintomas.

A melhora na maioria dos casos não é imediata, podendo demorar meses, e se por acaso não houver regressão dos sintomas se faz necessário o tratamento cirúrgico, com abertura do túnel osteofibroso e liberação dos tendões acometidos, o que resulta em melhora imediata da dor e dos sintomas.

Cirurgia essa de fácil realização e não necessitando de internação, podendo ser realizada em ambulatório de pequenos procedimentos, com anestesia local ou regional do membro afetado, sendo o paciente liberado logo após a cirurgia, ou caso o paciente queira pode ser realizada em centro cirúrgico com anestesia geral ou somente do membro afetado.

Os pontos são retirados em 02 semanas, podendo retornar gradativamente as suas atividades diárias após esse período, a recuperação completa leva de 30 a 45 dias no máximo, extrapolando 60 dias.

As complicações que podem ocorrer são infecção da ferida, deiscência de sutura, edema e dor local, hematoma, a recidiva é rara de ocorrer.

 

Dr. Amauri Antonio Biazi – Especialista em Cirurgia de Punho e Mão

 

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